quarta-feira, 23 de junho de 2010

Módulo I - Atividade 1.3

“[...] É necessário repensar a escola e a educação no sentido mais amplo. A escola deve ser menos lecionadora e mais organizadora de conhecimento, articuladora dos diversos espaços do conhecimento.” (Dowbor, L., 2001)



O professor Dowbor, na entrevista concedida à Rede Vida, em maio de 2004, propõe repensar o tipo de escola que temos, para conseguirmos uma escola que precisamos ter. A escola da forma que se apresenta não prepara os seus alunos para as questões importantes da época em que vivemos e nem dá condições de o aluno compreender o próprio meio em que vive.

Ele propõe que repensemos e observemos as falhas existentes na educação atual para que então possamos corrigi-las, direcionando nossa prática e nossa concepção de para quê educar voltadas para uma visão mais ampla.

Cita a frase do filósofo Michel de Montaigne “Uma cabeça bem-feita vale mais do que uma cabeça cheia”, que já no século XVI já discutia sobre a finalidade que deveria ter a educação. Podemos entender o termo “cabeça cheia” como os muitos conteúdos que são apresentados aos alunos ao longo da vida acadêmica e que muitas vezes não são acompanhados de sentido. E “cabeça bem feita” tem aquele que é capaz de trabalhar os conteúdos aprendidos, ligar e de dar sentido a eles.

A entrevista do professor Dowbor, me fez lembrar o documento apresentado à UNESCO, Os Quatro Pilares da Educação, com conceitos fundamentados sobre que tipo de Educação deve ser defendido nos novos tempos. Saber conhecer, saber fazer, saber viver juntos e saber ser.

Saber conhecer pode ser entendido como ter o interesse em compreender, conhecer e descobrir, exercitando a memória a concentração, estimulando o pensamento. Saber ser é indissociável do aprender a conhecer, que lhe confere as bases teóricas; o aprender a fazer refere-se essencialmente à formação técnico-profissional do educando. Consiste em aplicar, na prática, os seus conhecimentos teóricos.

Aprender a viver juntos parte do conceito de que as práticas humanas interferem no destino coletivo, e por isso é imprescindível que sejamos capazes de reconhecer a interdependência do nosso mundo contemporâneo e suas relações. Saber viver junto é, portanto, entender que nossas ações e omissões afetam a todos de alguma forma, e para que os resultados e consequências não sejam prejudiciais e insustentáveis, é necessário que todos aprendam a conviver e respeitar as diferentes culturas, que aprendam a serem mais tolerantes e procurarem relações mais pacíficas e harmoniosas. Se a humanidade soubesse ser mais tolerante e fosse capaz de respeitar e valorizar as diferenças culturais, religiosas, étnicas entre os povos e grupos menores, não teríamos tanta intolerância, preconceitos, grupos extremistas e guerras.

Aprender a ser. Aprender a ser ético, autônomo, ser mais humanizado. Neste sentido, a educação que carecemos tem que priorizar também a conscientização de que nossos atos e responsabilidades interferem na vida coletiva. Aprender a ser é um exercício que acompanhará a humanidade ao longo da vida, aprimorando os princípios éticos, a solidariedade, a compreensão, a cooperação, enfim, princípios que tornam as pessoas mais sensíveis, menos egoístas e individualistas, mais solidárias.

Acredito que estes quatro pilares são realmente importantes para uma Educação que priorize “cabeças bem-feitas” e não “cabeças cheias” e complementaria com um quinto pilar: saber pensar. Saber pensar é indispensável e inerente à condição humana. Somente aquele que pensa, reflete sobre como as coisas são - se poderiam ser diferentes, se podem contribuir de alguma forma para transformar a realidade. Ser crítico, reflexivo, criativo, autônomo, são características imprescindíveis que ensinados juntamente com valores gerais de sociabilidade, conhecimentos e competências poderiam influenciar positivamente o futuro de nossos alunos.

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