Minhas preocupações e expectativas referentes ao uso da tecnologia nos processos de ensino e aprendizagem
A educação que temos ainda está muito aquém da educação que queremos e necessitamos. A sociedade atual necessita de uma educação renovada, voltada para a formação integral do ser humana, e não esta que ainda carrega forte herança do ensino tradicional, baseado na transmissão e acúmulo de informações – ensino que Paulo Freire definiu como educação bancária.
Os textos que tivemos a oportunidade de ler para a segunda agenda do curso problematizam questões importantíssimas à educação: da necessidade de ser o professor reflexivo, de ser entendido como profissional ativo, da necessidade de formação continuada e também as armadilhas que podem existir quando utilizadas as novas tecnologias apenas como transmissão de informações.
Ao ler os textos referentes a esta unidade do curso, lembrei-me de uma citação de Edgar Morin: “Precisamos repensar reformas para reformar pensamentos e repensar pensamentos para repensar reformas”. Entendo esta afirmativa como a necessidade presente de uma reforma no pensamento, partindo da reforma do ensino. O ensino tem que ser reformado, deixar de ser visto e utilizado como transmissão de conceitos. É preciso que ele auxilie na compreensão de nossa condição humana e isto só se tornará possível quando revermos nossas concepções de educação e para quê educar.
E para quê educamos? Constantemente me pego refletindo sobre que finalidades atribuo a minha prática em sala de aula. Meu objetivo principal é tentar convencê-los de que são capazes de participar ativamente do mundo em que vivem. E, participar ativamente, na nossa atualidade, compreende estimular várias habilidades importantes como: a autonomia, capacidade de resolver problemas, de pesquisar e aprender, sabendo utilizar as tecnologias existentes como objetos que auxiliem no processo de aprendizagem, isto é, como construção do conhecimento, e não como um falso recurso moderno que visa apenas transmitir informações maçantes e que não vão acrescentar à formação integral do aluno.
Como professora, tento tirar proveito das tecnologias para melhorar o ensino de meus alunos, tentando buscar o que de proveitoso estas tecnologias vão proporcionar ao crescimento deles. Assim, procuro prestar atenção à forma que as utilizo e a importância que faço delas ao apresentá-las.
Não adianta, por exemplo, um professor que passou a vida inteira insistindo na atividade de fazer os seus alunos decorarem a tabuada, achar que, ao usar um recurso como o datashow para apresentá-la, vai melhorar o desempenho ou despertar o interesse deles pelo conteúdo. Se o professor não compreender de fato como e para quê utilizar a tecnologia e não mudar a metodologia que não contribui para o desenvolvimento do aluno, dificilmente será capaz de oferecer avanços.
Penso que é preciso, antes de tudo, ensinar a aprender a pensar, a pensar bem, isto é, “reformarmos pensamentos” estimulando o questionamento, a curiosidade e a vontade de aprender de nossos alunos. Assim como é preciso também muito cuidado ao utilizar as tecnologias, refletir sobre a sua prática docente e rever os métodos, caso contrário, estaremos apenas, no fundo, “informatizando o velho”.

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